Paralisação nacional de entregadores de aplicativos: motivos e reivindicações

No dia 31 de março de 2025, entregadores de aplicativos em todo o Brasil iniciaram uma paralisação nacional denominada “Breque Nacional dos Apps”. A mobilização, prevista para durar até 1º de abril, busca chamar a atenção para as condições de trabalho enfrentadas por esses profissionais e pressionar as empresas por melhorias significativas.

paralisação nacional dos entregadores
Reprodução | site: Sindicato dos Metalúrgicos

Contexto da Paralisação

A insatisfação dos entregadores não é recente. Desde 2020, a categoria vem realizando manifestações e greves em busca de melhores condições de trabalho e remuneração justa. A crescente dependência dos serviços de entrega por aplicativo durante a pandemia evidenciou ainda mais as dificuldades que enfrentam esses trabalhadores. Pois, apesar da alta demanda, viram seus ganhos diminuírem. ​

Principais Reivindicações

Entre as demandas apresentadas pelos entregadores, destacam-se:

  • Aumento da taxa mínima por entrega: Atualmente, plataformas como o iFood pagam cerca de R$ 6,50 por corrida mínima. Os entregadores reivindicam que esse valor seja elevado para R$ 10, considerando os custos operacionais e o tempo despendido em cada entrega. ​
  • Reajuste no valor por quilômetro rodado: Com o aumento dos preços de combustíveis e manutenção dos veículos, os entregadores solicitam que o valor pago por quilômetro percorrido passe de R$ 1,50 para R$ 2,50. ​
  • Limitação do raio de entrega para ciclistas: Para os entregadores que utilizam bicicletas, há a solicitação de que as entregas sejam limitadas a um raio máximo de 3 km, visando assim preservar a saúde física dos trabalhadores e evitar esforços excessivos. ​
  • Pagamento integral por pedidos agrupados: Quando várias entregas estão uma única rota, os entregadores exigem remuneração de cada pedido integralmente, sem reduções no valor por entrega adicional.
  • Seguro contra acidentes e roubos: Diante dos riscos inerentes à profissão, os entregadores solicitam a implementação de seguros que cubram acidentes durante o trabalho e em possíveis roubos dos equipamentos utilizados nas entregas. ​
  • Fim dos bloqueios indevidos e sistemas de pontuação: Há reclamações sobre bloqueios injustificados nas plataformas e sistemas de pontuação que, segundo os entregadores, os obrigam a trabalhar por longas horas para manterem-se ativos nos aplicativos. Eles pedem maior transparência e justiça principalmente nesses processos. ​

Respostas das Empresas

As empresas de entrega por aplicativo têm se manifestado sobre as reivindicações. O iFood, por exemplo, afirmou respeitar o direito à manifestação pacífica. Destacou que, nos últimos anos, implementou aumentos na taxa mínima por rota e no valor por quilômetro rodado. Além disso, a empresa mencionou oferecer seguro pessoal gratuito para casos de acidentes durante as entregas. Também oferecem planos de saúde e programas de educação para os entregadores parceiros.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) também se pronunciou, ressaltando que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores. Eles também apoiam a regulamentação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando principalmente garantir proteção social aos trabalhadores e segurança jurídica às atividades. ​

A paralisação nacional dos entregadores de aplicativos reflete a crescente insatisfação da categoria com as condições de trabalho e remuneração oferecidas pelas plataformas. Portanto, as reivindicações apontam para a necessidade de um diálogo mais efetivo entre empresas, trabalhadores e autoridades, visando a construção de um ambiente de trabalho mais justo e seguro para todos os envolvidos.​

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