Na noite desta terça-feira (25), o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) optou por suspender a greve dos funcionários da CPTM em São Paulo, que estava prevista para esta quarta-feira (26). A motivação dessa greve é principalmente a oposição dos trabalhadores à privatização de algumas linhas da companhia.
A decisão foi tomada em assembleia, com um placar apertado: 24 votos a favor da manutenção dos trabalhos e 23 pela paralisação.
Apesar da suspensão da greve, os funcionários seguirão trabalhando com uniformes pretos como forma de protesto. O sindicato aguarda uma resposta do governo sobre a preservação dos empregos diante do processo de privatização.
Atualizado em 25/03/2025 às 23h.

Contexto da Greve
Em assembleia realizada em 20 de março de 2025, os ferroviários decidiram, por unanimidade, iniciar uma greve que aconteceria a partir da meia-noite do dia 26 de março. Essa paralisação afetaria as linhas11-Coral, 12-Safira e 1 3-Jade.
Estas linhas atendem vários bairros da zona leste de São Paulo e regiões do Alto Tietê, como os municípios de Guarulhos, Itaquaquecetuba, Suzano, Mogi das Cruzes, Poá e Ferraz de Vasconcelos, portanto impactando diretamente milhões de passageiros que utilizam diariamente esses serviços.
Motivo da Paralisação
A greve é uma resposta direta ao plano do governo estadual de conceder à iniciativa privada as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. Além disso, o leilão dessas linhas está agendado para o dia 28 de março de 2025.
Os trabalhadores temem que a privatização possa levar à precarização dos serviços e à perda de empregos, conforme observado em concessões anteriores, como nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, onde ocorreram incidentes e falhas operacionais após a transferência para a iniciativa privada.
Histórico de Privatizações na CPTM
Não é a primeira vez que o governo paulista busca conceder linhas da CPTM à iniciativa privada. Em 2021, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda foram concedidas ao consórcio ViaMobilidade, composto pelos grupos CCR e RuasInvest, por um período de 25 anos.
Entretanto, após a concessão, houve relatos de problemas operacionais, como trens pegando fogo e aumento na precarização dos serviços, o que gerou insatisfação tanto entre os usuários quanto entre os trabalhadores.
Impacto para os Usuários
Uma possível paralisação das linhas da CPTM traria significativos transtornos para os usuários que dependem desse meio de transporte para se deslocar na Região Metropolitana de São Paulo.
Sem alternativas eficientes, muitos passageiros poderiam enfrentar dificuldades para chegar ao trabalho, à escola ou a outros compromissos diários. Além disso, a sobrecarga em outros modais de transporte, como ônibus e metrô, seria uma preocupação real, podendo resultar em superlotação e atrasos.
Posições Divergentes
Enquanto os trabalhadores se posicionam contra a privatização, alegando riscos de precarização e perda de empregos, o governo estadual defende a concessão à iniciativa privada. Segundo o governo, a parceria público-privada permitirá investimentos significativos na infraestrutura e na qualidade do transporte público.
Enquanto funcionários temem pela qualidade dos serviços e pela manutenção de seus empregos, o governo aposta na iniciativa privada como solução para o transporte público. No entanto, o desenrolar dessa situação terá impactos diretos na mobilidade urbana e na vida de milhões de paulistas que dependem diariamente dos trens metropolitanos.
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