A política de tarifa zero nos ônibus ganhou força em várias cidades brasileiras nos últimos anos. No entanto, o aumento dos custos operacionais e a dificuldade para manter fontes permanentes de financiamento têm levado alguns municípios a reverem a medida. Atualmente, oito cidades brasileiras deixaram de oferecer transporte coletivo gratuito por considerarem o modelo financeiramente inviável.
Embora a gratuidade continue sendo uma realidade em 143 municípios do país, especialistas alertam que a sustentabilidade financeira é um dos principais desafios para garantir a continuidade do serviço.

Oito cidades voltaram a cobrar passagem
Segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), as cidades que abandonaram a tarifa zero são:
- Jaboticabal (SP);
- Monte Mor (SP);
- Paulínia (SP);
- Pirapora do Bom Jesus (SP);
- Picos (PI);
- Porto Real (RJ);
- Tijucas do Sul (PR);
- Ubiratã (PR).
De acordo com a entidade, em muitos casos a implantação da gratuidade ocorreu por decisão política, sem estudos técnicos aprofundados ou um planejamento financeiro capaz de sustentar o aumento da demanda. Afinal, quando o transporte se torna gratuito, mais pessoas passam a utilizá-lo, exigindo mais ônibus, mais motoristas e, consequentemente, maiores investimentos.
Tarifa zero continua crescendo, mas em ritmo menor
Apesar dos recuos, a política de transporte gratuito ainda segue em expansão no Brasil. Entretanto, o crescimento perdeu força após a rápida adesão registrada entre 2021 e 2023.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, 16 municípios passaram a oferecer gratuidade, enquanto oito deixaram o sistema. Além disso, algumas cidades optaram por restringir o benefício apenas aos moradores cadastrados, como ocorre em São Caetano do Sul (SP).
Outro dado importante é que cerca de 65% das cidades com tarifa zero possuem menos de 50 mil habitantes. Isso mostra que municípios menores encontram mais facilidade para financiar o serviço, enquanto grandes centros enfrentam custos muito mais elevados.
Como financiar o transporte público?
Especialistas apontam que a gratuidade depende da existência de fontes permanentes de recursos. Algumas cidades conseguem manter a tarifa zero graças a receitas específicas, como royalties do petróleo, arrecadação portuária ou outras receitas municipais. Entretanto, a ausência de uma política nacional de financiamento ainda é vista como um dos principais obstáculos.
Além disso, propostas em discussão no Congresso e no Governo Federal buscam criar mecanismos para ampliar os subsídios ao transporte coletivo, separando o custo real da operação da tarifa paga pelos passageiros. A intenção é tornar o sistema mais sustentável e evitar que o valor das passagens recaia exclusivamente sobre os usuários.
Mobilidade acessível depende de planejamento
A tarifa zero é considerada uma importante ferramenta de inclusão social, pois facilita o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços públicos. Contudo, especialistas destacam que o sucesso da medida depende de planejamento, estudos técnicos e, principalmente, de fontes seguras de financiamento.
Dessa forma, o debate sobre a gratuidade do transporte público continua em pauta no Brasil. Enquanto algumas cidades mantêm o benefício e outras estudam sua implantação, o desafio é encontrar um equilíbrio entre ampliar o acesso da população e garantir a sustentabilidade financeira do sistema de mobilidade urbana.
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