Protesto de motoristas de aplicativo contra PL e mobilização nacional pressiona governo

As manifestações de motoristas e entregadores de aplicativo ganharam dimensão nacional no dia 14 de abril, com atos registrados em ao menos 13 capitais brasileiras. O movimento, conhecido como “breque dos apps”, reuniu profissionais insatisfeitos com o Projeto de Lei Complementar (PLP 152/2025), que propõe regulamentar o setor.

Em São Paulo, a mobilização incluiu carreatas e concentração na região do Pacaembu, impactando importantes vias da cidade. Além disso, o protesto não ficou restrito à capital paulista, evidenciando a insatisfação generalizada da categoria em diferentes regiões do país.

protesto de motoristas de aplicativo
Reprodução | Site: infomoney.com.br

A principal motivação dos atos está nas mudanças feitas no texto do projeto ao longo de sua tramitação. Inicialmente, a proposta previa garantias como piso mínimo mais elevado, maior transparência nas plataformas e contribuição previdenciária com participação das empresas.

No entanto, alterações recentes reduziram o piso mínimo para cerca de R$ 8,50 e flexibilizaram regras importantes, o que gerou forte reação dos trabalhadores.

Além disso, o projeto mantém os motoristas como trabalhadores autônomos, sem vínculo empregatício, e permite diferentes formas de remuneração, o que, segundo a categoria, pode aumentar a instabilidade financeira.

Principais críticas dos motoristas

Entre os pontos mais criticados pelos profissionais estão:

  • Redução do valor mínimo por corrida ou hora trabalhada;
  • Possibilidade de retenção de até 30% pelas plataformas;
  • Falta de garantias trabalhistas mais robustas;
  • Criação de uma categoria intermediária que não é CLT nem totalmente autônoma.

Motoristas também afirmam que, na prática, algumas plataformas já retêm valores elevados das corridas — em certos casos, acima de 40% — o que compromete a renda e a sustentabilidade da atividade.

Recuo do governo e suspensão da votação

Diante da pressão nacional e da repercussão das manifestações, o governo decidiu retirar o projeto da pauta de votação. O relator chegou a afirmar que o texto, na forma atual, perdeu viabilidade política, indicando um possível recomeço nas discussões.

A retirada representa uma vitória momentânea para os trabalhadores, que defendem mudanças mais alinhadas às demandas da categoria. Ainda assim, lideranças do movimento afirmam que continuarão mobilizadas para evitar que o projeto retorne sem ajustes significativos.

O que esperar daqui para frente

Com o projeto suspenso, o setor segue operando sob as regras atuais, com motoristas atuando como prestadores de serviço sem vínculo formal. No entanto, o debate sobre regulamentação continua aberto.

Por um lado, há a necessidade de garantir proteção social aos trabalhadores. Por outro, existe o desafio de preservar a flexibilidade que caracteriza o modelo de trabalho por aplicativos.

Dessa forma, o tema deve continuar em pauta nos próximos meses, com possibilidade de novas propostas, negociações e, eventualmente, novas mobilizações da categoria.

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