Igualdade de gênero e o fim da violência contra a mulher também no trânsito.

imagem: @freepik

A luta pela igualdade de gênero e pelo fim da violência contra a mulher são temas que têm sido debatidos na mídia e na sociedade ultimamente. As estatísticas relacionadas ao crescimento da violência contra a mulher e ao aumento dos casos de feminicídio são alarmantes, evidenciando a necessidade de ações mais eficazes e abrangentes para proteger as mulheres e promover mudanças sociais significativas. Notícias recentes de violência contra mulher, inclusive de casos envolvendo celebridades, nos mostra que o problema está em todo lugar, em todas as classes sociais, ou seja, afetando a todos.

Essa violência e preconceito estão também presentes de forma “sutil” ou “estrutural” no trânsito, pois o estereótipo mais comum é o de que as mulheres são motoristas menos habilidosas do que os homens no trânsito. Esse estigma se traduz em situações como motoristas do sexo masculino frequentemente duvidando da capacidade delas de estacionar, trocar pneus ou mesmo dirigir de maneira segura. Essas suposições baseadas no gênero são injustas e infundadas, e contribuem para um ambiente de desigualdade no trânsito.

“Mulher no volante perigo constante”, “Só podia ser Mulher”, “Lugar de mulher é no fogão” são frases ouvidas frequentemente por muitas mulheres no trânsito, esses estereótipos sobre a mulher e o ato de dirigir são exemplos de violência psicológica que a motorista enfrenta no seu dia a dia. Infelizmente esse preconceito também existe entre as próprias mulheres, que acabam replicando esse discurso “machista”.

Essas frases e comentários desestimulam muitas mulheres a dirigir. As mesmas podem inclusive desenvolver algum tipo de transtorno mental como ansiedade ou fobia. O fato é que um trânsito seguro não depende de gênero, mas sim de responsabilidade e prudência para seguir as leis vigentes.

De acordo com a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), o trânsito no Brasil ainda é dominado por homens, as mulheres representam apenas 35% das 74,3 milhões de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) ativas. O percentual é ainda menor quando se fala de veículos de grandes portes como caminhões, por exemplo, elas são apenas 6,5% do total de motoristas da categoria.

Leia também o artigo: “Quebrando barreiras: a vida de Vanessa Pereira da Cruz como motorista de caminhão”: 
https://transito360.com.br/2023/10/27/quebrando-barreiras-a-vida-de-vanessa-pereira-da-cruz-como-motorista-de-caminhao/

É importante que a sociedade reconheça o preconceito de gênero no trânsito e trabalhe para erradicá-lo. Isso começa com a conscientização, educação e a promoção da igualdade de gênero em todas as esferas da sociedade, incluindo o trânsito. As mulheres têm o direito de transitar nas vias públicas com segurança, respeito e sem discriminação.

Há uma campanha interessante que vem acontecendo em Recife – PE desde o ano passado, quando foi lançada a cartilha “Como não ser babaca no trânsito” pela prefeitura. O manual, além de abordar o assédio e o machismo no trânsito, busca conscientizar as pessoas sobre a importância da promoção de um espaço público mais democrático. Também estão previstas palestras internas com as agentes de trânsito da cidade sobre o tema. A versão impressa é distribuída em pontos turísticos, parques, estações de ônibus e praças na capital pernambucana, buscando promover a conscientização sobre segurança pública na mobilidade ativa e nos ônibus para respeitar as mulheres enquanto pedestres, ciclistas, motoristas e usuárias do transporte público. 

Acesse o manual completo aqui: https://www.mobilize.org.br/midias/pesquisas/como-nao-ser-um-babaca-no-transito.pdf

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