Fabricantes pressionam por reajuste na alíquota de importação, mas caminhoneiros e especialistas alertam para as consequências no setor de transporte.
O aumento nos preços dos pneus tem gerado preocupação entre diversos setores da economia, especialmente os caminhoneiros.
Recentemente, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) um reajuste significativo na taxa de importação de pneus de carga e passeio, elevando-a dos atuais 16% para 35%.
Essa proposta visa combater os prejuízos alegados pela indústria devido ao aumento das importações nos últimos três anos.

Foto/Reprodução: Portal FGV
No entanto, o pedido enfrenta oposição de importantes segmentos, como o dos caminhoneiros autônomos, que temem um novo aumento nos custos operacionais.
Everaldo Bastos, representante da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo, relembrou a greve de 2018, motivada pelo aumento no preço do óleo diesel, e destacou que um aumento significativo no custo dos pneus poderia desencadear uma nova paralisação.
Argumentos das Partes Envolvidas
De acordo com Ricardo Alípio, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus, o reajuste na taxa de importação teria um impacto abrangente na economia, afetando diretamente o consumidor final e pressionando ainda mais o setor de transporte.
Para ele, a elevação de custos não se restringe apenas ao preço dos pneus, mas pode gerar um efeito em cascata que prejudicaria a competitividade do Brasil.
Por outro lado, a ANIP argumenta que a medida não se trata de protecionismo, mas sim de uma questão de “isonomia concorrencial”. A indústria nacional de pneus alega estar em desvantagem competitiva diante do aumento das importações.
Consequências da Greve dos Caminhoneiros
O setor de transporte rodoviário, que já enfrenta altos custos com combustível, manutenção e pedágios, seria um dos mais prejudicados.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revelam que 94% dos transportadores possuem até três veículos, o que dificulta a transferência de custos para o frete.
Segundo estimativas, o aumento da tarifa de importação pode elevar o preço dos pneus em até 25%, um impacto que seria insustentável para muitos caminhoneiros autônomos.

Possíveis Repercussões
O superintendente de serviços de transporte rodoviário da ANTT, José Aires Amaral Filho, alertou para o risco de sucateamento do setor caso o aumento da alíquota seja aprovado.
Segundo ele, a dificuldade de repassar esse aumento de custos para o frete comprometeria a viabilidade dos transportadores, especialmente os menores.
Em suma, o debate sobre o reajuste da tarifa de importação de pneus expõe um cenário de incertezas.
Enquanto a indústria busca proteger sua competitividade, caminhoneiros e transportadores autônomos alertam para as possíveis consequências negativas de mais um aumento de custos, que poderia gerar novas tensões e até mesmo greves no setor.
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